09 abril, 2017

Entrevista d'A Cor do Meu Verniz: Autora Inês Marto

Como já reparam existe um passatempo a decorrer aqui no Blog em Parceria com a Chiado Editora para ganhares o livro "Combustão" da Inês Marto.

Esta entrevista é para aqueles que gostam de conhecer os escritores, quem está por detrás dos livros que lemos, saber um pouco mais sobre quem realmente os escreve.

 

Contactei com a querida Inês, e desde logo achei-a super acessível e de uma simpatia fantástica. Prontificou-se logo a ajudar-me a partilhar o passatempo e tudo mais. Surgiu então a ideia de fazer uma entrevista à Inês, pois quando li o seu livro, julguei e imaginei a autora muito mais velha e com uma escrita muito madura.

Para ficarem a conhece-la um bocadinho melhor e perceberem como surgiu este livro, coloquei-lhe 10 questões, ao qual ela responde firmemente.

Segue então a entrevista:

"1. Qual o teu nome, idade e onde nasceste?

Inês Marto. 21 anos. Nasci em Coimbra, vivi e cresci em Fátima, actualmente moro em Lisboa, para onde sempre quis vir.



Entrevista
Coimbra, Fonte: http://pnam.aimmp.pt/pnam17-cerimonia-de-entrega-do-premio-em-coimbra/coimbra/

2. Como surgiu a paixão de escrever?

Muito sinceramente, não me lembro de ter surgido. Acho que talvez sempre cá tenha estado. Terá sido só uma questão de encontrar o(s) meio(s) certo(s) por onde "destilar", falo no plural porque gosto sempre de ir experimentando novas áreas, mas penso que esta será sempre a minha "casa" instintiva.


3. Onde procuras a inspiração para escrever?

Não procuro. Deixo-me susceptível a que ela me aconteça. Claro que há certas coisas que me inspiram mais frequentemente, mas maioria das vezes deixo que seja a inspiração a chamar-me a mim, não o contrário. Tenho sempre pessoas, conversas, paisagens, silêncios, pensamentos, sei lá... que mais cedo ou mais tarde, depois de cá ficarem a amadurecer, me suscitam alguma frase ou texto. Mas regra geral é um processo aleatório e orgânico. Acontece-me, absorvo, e é simplesmente assim que me sei transpor melhor.


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Escrita, Fonte: http://vai-amanhecer.tumblr.com/


4. Porquê o título "Combustão"?

Explico-o na contra-capa. Não tinha título, inicialmente, nem sabia como o iria escolher. De repente pareceu-me óbvio: "Combustão auto-explica-se por ser, como indica, o acender de fogueiras interiores, que transbordam os limites da pele e se fazem linhas." 


5. Quais são os próximos projectos, algum livro em espera de ser publicado?

Continuo a escrever, sempre. Não sei não o fazer. Portanto talvez uma nova colectânea seja uma questão de tempo, sim, embora para já não a tenha planeado. "Combustão" reúne textos de vários anos. Também não a planeei, e aconteceu, acho que no tempo certo. Escrever faz parte de mim, independentemente, por isso penso que terei sempre material. Fora isso, tenho sempre novos projectos na escrita de peças de teatro, é muito diferente, exige-me outras coisas e é um bom equilíbrio. E mais recentemente tenho tido convites para escrever letras de música, pode ser que se abram novos caminhos, são tudo situações que me preenchem, veículos diferentes, digamos.


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Livro, Fonte: http://www.revistabula.com/1236-etica-livro-13-mandamentos/


6. O que sentes quando estás a escrever?

Pergunta interessante... Não é uma sensação muito linear de descrever. Se calhar soa a cliché, mas sinto-me um bocado fora da pele. Talvez por isso seja também uma necessidade tão primária. É uma espécie de exorcismo, embora as verdades nem sempre sejam as minhas, e nem sempre sejam verdades. Mas é como um transe. Acho que é isso. Tanto que, provavelmente, se encontrar um texto meu dos mais antigos, penso com a maior das convicções que não seria capaz de escrever aquilo. Que eu não tenho aquelas bagagens nem aquela pele. E realmente não... Não sei. Sei que, conversava há uns dias a propósito disso e dizia "é como ter formigas quentes dentro das veias, que só param quietas se escrever, tudo o que tenha para escrever". Depois quando "acordo" sobra uma sensação muito boa, de quem acabou de deixar a pele no chão.


7. Quanto tempo demoraste a escrever "Combustão"?
Tecnicamente não demorei. Foi a junção de textos que fui publicando ao longo dos anos, online. Foi um processo relativamente rápido, e que não quis ser eu a fazer totalmente. Revi, acrescentei, modifiquei, e tive a palavra final, claro. Mas não teria paciência de me ter lido tanto. Dou-me dores de cabeça, às vezes. Outras vezes espanto-me. Mas não demorou. Assim que juntei tudo o que já tinha escrito, levei um tempo com isso guardado, à espera que alguma coisa me dissesse que era a altura. Quando chegou, foi quase imediato. Em dois dias, a Chiado tinha dado o sim à publicação. 


8. Quando estás a escrever idealizas as personagens ou a quem estás a referir os teus textos?


Não sei bem... acho que as personagens, quando as há, de alguma forma me vêm habitar de uma forma muito natural. E é esse habitar que motiva o texto. Não as construo para escrever, escrevo porque elas se constroem em mim. E quando me estou a referir a alguém... sim. Idealizo. Seja real ou não. Às vezes pode partir de uma pessoa, ou de uma coisa tão banal como uma paragem de autocarro... e depois é dar espaço a esse processo de transe que acontece sozinho, ou meio sozinho, não sei. 


9. Quais os teus escritores preferidos? E livro preferido?

Não tenho um livro preferido. Não quero ter um livro preferido. Compro muitos, leio poucos e vários ao mesmo tempo, e perco-me a meio. Faço questão de ter sempre livros por ler e cadernos em branco também, enquanto assim for, tenho vida à espera. Nunca li livros nem escritores que toda a gente acha completamente um crime. Leio por impulsos. Mas tenho escritores que me sabem a casa. Claro que sim. Fernando Pessoa, nunca consigo não o referir (ainda não acabei o Livro do Desassossego). E Al Berto. Al Berto tem sido uma companhia como ainda não encontrei mais, já era hora de o reconhecerem. Descobri também há pouco tempo um senhor, ainda estou a começar, mas é um mundo. Miguel Graça. É fascinante. Tem (que saiba) dois blogues (por esta ordem) Crónicas de uma vida normal, e Crónicas de uma vida anormal. Também tem sido uma companhia. E um crescimento. Como o Al Berto.



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Fernando Pessoa, Fonte: http://www.anoticia.com/colunas/newton-alvim/id/1838/-quem-nao-gosta-de-fernando-pessoa.html



Al Berto, Fonte: https://asfolhasardem.files.wordpress.com/2010/01/al_berto-1doc.jpg 

10. O que desejas para a tua vida de escritora num futuro próximo?


Não sei onde começa a minha vida "de escritora"... fará tão parte de mim isto, que é a minha vida, ponto. Continuar a escrever. Mas acho que não preciso de desejar isso. Não tenho mais grande forma de vida, mesmo, bem ou mal, é esta... Gostava de encontrar mais gente "da minha". De agarrar nos que já encontrei (poucos) e de perdermos todos a vergonha e os limites. De fazermos coisas acontecer, só porque sim... Gostava de pensar menos e acontecer mais, acho que é isso. Que nos juntássemos todos, nós, as "almas velhas" que por aqui andam a falar baixo, e nos acompanhássemos as nossas solidões uns aos outros. E fizéssemos a nossa magia acontecer, fosse lá isso o que fosse. Ainda acredito que um dia sim."


E assim terminou a entrevista. Espero que tenham ficado a conhecer um bocadinho melhor como surgiu o seu livro! E claro que ficaram a conhecer um pouco melhor a Inês.

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Esta foi a primeira entrevista d'A Cor do Meu Verniz. Acham interessantes estas entrevistas?
Digam-me o que acharam! :)

Podem conhecer um bocadinho mais visitando a página Web da Inêsinesmarto.com